Poluição

Desde a revolução industrial do século XVI a demanda por recursos energéticos tem aumentado de maneira considerável. Inicialmente, através da intensa exploração de carvão mineral, a partir de 1820 e, quarenta anos mais tarde, com a exploração de petróleo, notou- se uma mudança nos padrões de consumo energético (PALZ, 1981). Segundo a empresa britânica British Petroleum, as reservas mundiais de petróleo em 2018 somavam 1730 bilhões de barris, mas seguindo o consumo atual, as reservas se esgotariam em 50 anos. O cenário é ainda mais preocupante para países Europeus, cuja previsão de esgotamento dos recursos é de apenas 11 anos. (DUDLEY, 2012)

 

Diante da limitação dos recursos minerais e se atentando ao prejuízo gerado ao ecossistema devido à emissão de gases poluentes, o alerta foi ligado para que novas fontes de energia fossem descobertas e aprimoradas, tendo como foco principal a energia solar, já que a superfície terrestre recebe em média 1,8x10¹¹ MW de energia, que excede inúmeras vezes o consumo de energia da população do planeta Terra. (PARIDA, 2011). O setor aeronáutico também se preocupa com os impactos causados, já que as projeções preveem que em 2035 o setor seja responsável por 14% do consumo de combustível utilizado para transportes e ainda pela emissão de 23% de todo o CO2  até 2050. (Air TRansport and Energy Efficiency, 2012).

Painel solar

Tentativas de se produzir aeronaves elétricas já foram feitas, sendo as de maior relevância a Solar Impulse e a aeronave Helios, produzida pela Nasa. Dentre as vantagens da utilização da energia solar, podemos citar a ausência de gases do efeito estuda ou gases tóxicos, melhoria da qualidade dos recursos hídricos e aceleração da eletrificação rural nos países subdesenvolvidos. (SOLANGI, 2011). Todavia, uma questão crucial na geração de energia é seu armazenamento e, nesse aspecto, para aplicação aeronáutica, o parâmetro mais importante se refere à densidade de energia, ou seja, a quantidade de energia que cada bateria armazena de acordo com seu volume. (HEPPERLE, 2012).

Helios NASA AviãoHelios

Mesmo as melhores baterias estão longe de oferecer a mesma quantidade de energia do  querosene, combustível bastante utilizado na aviação. Além disso, por armazenarem pouca energia, o volume ocupado pelas baterias acaba sendo um complicador. Para tanto, é necessário que as aeronaves possuam longas asas, como os modelos Solar Impulse e Helios,  ou que sacrifiquem sua capacidade de carga.

Ocorre que nenhum dos dois cenários é ideal para voos comerciais, já que os aeroportos apresentam espaço limitado e, diminuindo a quantidade de carga transportada pela aeronave, menor será a receita da companhia aérea.

Solar impulse 2Solar Impulse

Dessa forma, vê-se a necessidade de melhoria das baterias atuais e, pensando nisso, a  empresa Oxis Energy desenvolve baterias capazes de armazenar até quatro vezes mais do que uma bateria comum. No que tange à captação dos raios solares, muito se tem feito para melhorar a qualidade a eficiência dos painéis solares. No Brasil, por exemplo, os pesquisadores do CSEM obtiveram eficiências para OPV acima dos 11%, mas esse valor está ainda bem abaixo dos painéis solares convencionais, que possuem eficiências típicas da ordem de 25%.

Posto isso, fica evidente que há o interesse da utilização do sol como fonte de energia e como substituição dos já tradicionais combustíveis fósseis. Um grande esforço é empregado nessa tarefa. Porém, muito ainda deve ser feito, principalmente na melhoria da capacidade de carga das baterias e das eficiências dos painéis fotovoltaicos de modo que possibilite a utilização em larga escala.

 

 

Sobre o autor:

André Lisio

André Lísio Antunes é engenheiro aeroespacial formado pela UFMG, possui cursos de PowerBI e Gestão de Projetos, além de ser pós graduando em Gestão Estratégica pela UFMG. Saiba mais sobre André clicando aqui.

 

 


Referências do texto:
W. Palz, “Energia solar e fontes alternativas,” in Energia solar e fontes alternativas, Hemus, 1981;

B. Dudley et al., “Bp statistical review of world energy,” London, UK, 2012.

B. Parida ,S. Iniyan, and R. Goic,“A review of solar photovoltaic technologies, ”Renewable and sustainable energy reviews, vol. 15, no. 3, pp. 1625–1636, 2011.

B.Parida,S.Iniyan,andR.Goic,“Areviewofsolarphotovoltaictechnologies,”Renewableand sustainable energy reviews, vol. 15, no. 3, pp. 1625–1636, 2011.

T. I. B. for Reconstruction and Development, Air Transport and Energy Efficiency, 2012.